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Aleksandr Dugin | O Conservadorismo revolucionário: perpétua actualidade | 27.01.2009
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Aleksandr Dugin
O Conservadorismo revolucionário: perpétua actualidade
O conservadorismo tradicional: fracasso, erigido em valor
Todos os conservadores têm um destino trágico – necessariamente perdem. Esforçando-se por contrariar a novidade, que se considera (na maior parte das vezes justificadamente) como negativa, hereje, quase traidora das tradições e pilares antigos, eles estão condenados a perder batalha após batalha, pois o próprio tempo se encontra do outro lado da barricada. Parece que a posição dos conservadores tradicionalistas é, no fim de contas, apenas uma atitude estética, trágica, embora muito atraente, um certo gesto brilhante, mas notoriamente condenado ao fracasso.
Mais do que isso, a tenacidade dos conservadores na fidelidade ao que é antigo, está também, em determinado sentido, na posse dos seus antagonistas progressistas e modernistas de todos os tipos e cores: de facto, reconhecendo o seu campo como pura resistência, como inércia, como reacção, os conservadores deixam livres as mãos a todos aqueles que oferecem um projecto renovador, independentemente do que ele seja. Por definição, os conservadores põem obstáculos a quaisquer inovações, a quaisquer inovadores. Ao projecto dos modernistas opõem não o seu próprio plano, mas a total ausência de plano.
A essência da posição dos conservadores consiste em tudo deixar como era, como é. Isto, naturalmente facilita seriamente o trabalho daqueles que tudo querem mudar. Na verdade, o enorme estrato social, representado pelos conservadores, mete-se entre parênteses na discussão ou realização de novos programas, notoriamente recusando-se a apresentar o seu próprio projecto, o que seriamente reforça a concorrência e permite analisar com mais atenção o lado substancial do que os modernistas propõem.
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Aleksandr Dugin|Assimetria|25.01.2009
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Aleksandr Dugin
Assimetria
Um olhar Objectivo
Convém olhar de novo, sã e objectivamente, para a hodierna posição da Rússia, sem ofensas, emoções, nostalgia e exacerbação. Em que mundo nos encontramos? Que ameaças pendem sobre nós?
Qual a configuração do actual mapa do mundo do ponto de vista estratégico? Que devíamos fazer em tal situação? E que podemos – porque devemos – fazer? Como nos consciencializarmos nós próprios do nosso lugar, e como o vêem de fora da Rússia essas forças, das quais, efectivamente, muito dependemos? Poucos na nossa sociedade hodierna são capazes de, calma e desapaixonadamente, não só responder a estas questões, como também até de pô-las.
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Aleksandr Dugin | "Projecto Eurásia" | Saudade | 21.01.2009
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Aleksandr Dugin
Saudade
"Projecto Eurásia"
Há simplesmente a Sérvia, há simplesmente Portugal.
Mas a Sérvia respira, vibra, não por sim mesma – como ela é, com hábeis construtores, astutos homens de negócios e o típico caos eslavo, -- mas pelo grande sonho do império pan-balcânico de Dushan o Forte, por uma vontade firme de uma Sérvia maior, pelo étnos eslavo, ardente, transcendental, apaixonado e orgulhoso. “Darei a vida por ti, minha Pátria. Sei que dou e por que dou,” – foi escrito nas paredes das casernas dos servos bosníacos, erigidas no grande Amor do poeta mobilizado Radovan Karadjitch.
Portugal – apenas pequeno país europeu – não é rico nem influente. Não tem hoje absolutamente nada de que se orgulhar. Mas vive no pequeno povo ribeirinho o sonho secreto do “império do rei Sebastião” a esperança no “quinto Império”, a aparição impossível, à qual se esforçou por aproximar-se o notável escritor francês, místico, político e lobbiista geopolítico Domenic de Rue. Na língua portuguesa existe a palavra intraduzível “saudade”. Ela significa “nostalgia”, “melancolia”, “sofrimento”, mas ao mesmo tempo – “sentimento patriótico”. Grande melancolia e grande patriotismo expressos numa só palavra “saudade”. Sacerdote desta inconcebível e extravagante religião foi Fernando Pessoa, o melhor poeta português contemporâneo.
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Aleksandr Dugin | "Projecto Eurásia" | Modernização sem ocidentalização | 21.01.2009
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Aleksandr Dugin
Modernização sem ocidentalização
"Projecto Eurásia"
A terceira posição
No seu notável artigo, Samuel Huntington, descrevendo o futuro “choque de civilizações” (clash of civilizations), mencionou uma fórmula muito importante – “modernização sem ocidentalização” (modernization without westernization). Ele descreve a relação com os problemas do desenvolvimento socioeconómico e tecnológico de alguns países (por regra, do Terceiro mundo), os quais, compreendendo a necessidade objectiva de desenvolvimento e aperfeiçoamento dos mecanismos políticos e económicos dos seus sistemas sociais, recusam-se a seguir cegamente o Ocidente, e pelo contrário, se esforçam por colocar algumas tecnologias ocidentais – opostas ao seu conteúdo ideológico – ao serviço dos sistemas de valores do seu carácter nacional, religioso e político.
Assim, muitos representantes das elites do Oriente, tendo recebido formação ocidental superior, regressam às suas pátrias equipados com conhecimentos e metodologias técnicas importantes, e aplicam estes conhecimentos no reforço da potência dos próprios sistemas nacionais. Deste modo, em vez da aproximação, esperada pelos liberais optimistas, entre civilizações, produz-se o armamento de alguns regimes “arcaicos”, “tradicionalistas” com novíssimas tecnologias, o que faz a confrontação civilizacional ainda mais aguda.
A esta penetrante análise pode juntar-se a consideração de que a maior parte dos intelectuais ocidentais eminentes, homens de cultura, personalidades criadoras, foram por si mesmas, em grau notável, não conformistas e anti-sistema, e por consequência, gente do Oriente, e, estudando os génios do Ocidente, apenas se reforçaram nas suas próprias posições críticas.
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Aleksandr Dugin | "Projecto Eurásia" | O grande projecto | 21.01.2009
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Aleksandr Dugin
O grande projecto
"Projecto Eurásia"
A agressão do efémero
Nós estamos de tal modo enterrados em “este minuto”, nas peripécias políticas e económicas, nos problemas psicológicos, e tão apaixonadamente atendemos ao hipnótico conjunto da vida quotidiana, que constantemente perdemos de vista o principal. O principal, o grande, aquilo que dá sentido à vida, o que define o motivo mais alto - é para nós, volta e meia, apenas treta, estribilho, um esquema verbal e emocional. Ou simplesmente uma cobertura, um adorno exterior daquilo que com senso prático afirmamos como básico e real e que sentimos ser concreto.
Assim constituída, a nossa existência gravitacional achata-nos contra a terra. Esses excêntricos, que, seriamente, rompendo com os condicionalismos e convenções sociais, se lançam para o diferente, são aceites por nós apenas quando sábios académicos paramentados com específico uniforme, quando artistas com barretes de veludo, ou popes triunfalmente imponentes. Contra esta materialização da humanidade as almas fogosas sempre se queixaram, censurando, acordando, denunciando, envergonhando.
Mas dificilmente na antiguidade houve algum tempo, em que a hipnose da rotina actuasse tão total e impudentemente, expressando-se pelos poderosos mecanismos mediáticos que paginam a realidade efémera, - destacada como a única realidade pelo seu próprio arbítrio. Quanto mais ilusória é a Sociedade dos Espectáculos, tanto mais real se apresenta o momento do presente ao qual aplica a força gigantesca da sua sugestão. O que foi ontem, como foi ontem, há uma hora atrás, parece profunda antiguidade.
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Aleksandr Dugin | "Projecto Eurásia" | O Apocalipse aqui e agora | 21.01.2009
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Aleksandr Dugin
O Apocalipse aqui e agora
"Projecto Eurásia"
Pelos Caminhos da Mentira
Desde há muito, cruelmente nos enganam. Enganam-nos em tudo. Enganam-nos pela medida grande. E isto não começou só ontem...
Este mundo, esta realidade, este país, esta humanidade, que nos descrevem as autoridades da ciência, da cultura e da política, nunca existiram nem existem. Todas as coisas do nosso mundo apocalíptico, as vemos como que através duma miragem hipnótica, criada por conspiradores malignos, espertalhões habilidosos e hipnotizadores ao serviço do príncipe deste mundo...
Acabámos de passar o limiar do milénio, e pensamos na pasta de dentes e no custo do telefone. Como que confusamente, do nevoeiro da indiferença, sentimos que algures ao lado da Pátria, em volta da Rússia, se derrama um denso caldo do nosso meio popular... Mas que é a Pátria? De onde veio e para onde vai? Em que hora vive? – A este respeito não pensamos, nem podemos com clareza pensar, pois todos os sistemas de coordenadas estão desorientados, as estruturas da mundivisão distorcidas, e os sacerdotes coaxantes e bem-querentes da decadência estragam por fim o caso com enfatuados fragmentos de sentenças morais.
A Rússia não somente perde o seu lugar na história, ela perde também a consciência da história. A Rússia não apenas se perde no espaço, mas perde a consciência do espaço.
Diante do limiar do milénio, nós estamos despidos, de boca aberta, com gaze sobre as órbitas, com um tolo saco nas mãos. A alma dos russos está engessada...
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Fernando Nobre | "No media.info" | A Europa, a Rússia e o Kosovo | 26.12.2008
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Fernando Nobre
A Europa, a Rússia e o Kosovo
"No media.info", 25 Dezembro, 2008
No passado mês de Agosto, na Geórgia, ex-república da URSS que bem conheço, devido ao aventurismo intempestivo do seu pouco democrático presidente, tivemos a primeira consequência concreta da aventura irresponsável da “independência” do Kosovo.
Independência essa, incentivada e reconhecida à revelia do Direito Internacional e da Carta das Nações Unidas, pelos EUA, a maioria dos Estados Europeus (Espanha e poucos outros povos foram até hoje, honrosas excepções) e a própria U.E.
À força do direito sobrepôs-se o direito da força.
Não contentes com este acto violador, verdadeira cereja em cima de um bolo de irresponsabilidade e leviandade, o “Ocidente” (entenda-se os EUA e alguns países europeus) resolveu cercar a Rússia com o alargamento da NATO às suas fronteiras e a instalação de mísseis nas suas mais próximas cercanias, sob pretextos falaciosos de melhor interceptar hipotéticos mísseis iranianos… O “Ocidente” quis esfolar o urso pensando-o morto ou agonizante.
Erro crasso: o urso - a Rússia - só estava adormecido. Acordou: ainda tem garras e dentes fortes e não aceita ser esfolado vivo.
O anão político e militar europeu, sem liderança nem estratégia, anuiu, consentiu e calou-se perante essa estratégia de afrontamento contra a Rússia e fragilizou-se ainda mais. Em vez de se construir a Europa (do Atlântico aos Urais) incluindo a Rússia, o que teria todo o cabimento histórico, cultural, religioso, económico, energético, politico, militar e geográfico, para edificar um verdadeiro pilar europeu sólido no Mundo, que tanto faz falta, optou-se pela exclusão da Rússia.
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Partido textos | Manifesto do Movimento Internacional Eurasian | 29.10.2008
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Eurasian casa comum
Manifesto do Movimento Internacional Eurasiáticas
Eurasian diálogo de culturas - o conteúdo da história humana
Eurásia Continente - o berço da cultura e da civilização humana. Neste espaço surgiram e desenvolveram uma variedade de serviços sociais, espirituais e políticos formulários que compõem o núcleo conteúdo da história humana.
Para o continente eurasiático, existem dois grandes pólos - Europa e Ásia, Oriente e Ocidente.
A história da humanidade é um processo contínuo de diálogo, intercâmbio dialético de energia, valores, tecnologias, idéias e as coisas entre estes pólos.
Oriente e Ocidente complementam mutuamente, estão entre os mil anos de conversa, cheio de maior significado.
Em terras da Eurásia eram constantemente fluxos de povos e culturas - a partir de Oriente para Ocidente, do Oriente ao Ocidente. O distantes antepassados dos modernos europeus ordami selvagem carona steppes sobre os asiáticos, enquanto seus contemporâneos chineses, indianos e persas nezhilis nos raios do elegante e sofisticado, civilizações - avançado filosofia, tecnologia avançada em um alto conforto. Cada civilização tem o seu próprio tempo, ela passa por toda parte e em diferentes maneiras. O que parece «selvajaria» aqui, hoje, amanhã ou em outro lugar se torna a referência «progresso».
O que parece verdade universal aqui, hoje, amanhã ou em outro lugar é muito localizada e relativamente culto. Nunca deverá ser absolyutizirovat o que está aqui e agora. Condição e os valores estão mudando o mundo. Te semper deverá verificar os seus juízos grande escala de tempo e espaço.
Eurásia - grelha genuíno pensamento uma decente. Temos de aprender a "pensar na Eurásia, a pensar de eurasiáticos, então nós seremos igualmente clara, eo Ocidente e Oriente, e do progresso e tradição e constância e variabilidade, ea fidelidade às raízes, e seguir em frente.
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Flavio Gonçalves|o regresso da rússia|21.09.2008
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Flavio Gonçalves
O regresso da rússia
Há alguns anos, quase uma década se os contar bem, quando trabalhava como vigilante num dos estaleiros instalados à pressa na nossa ilha para levar a cabo a reconstrução depois do cataclismo de 98, recordo vivamente o surto de silêncio que surgia sempre que, normalmente no horário das refeições, surgia alguma notícia referente a Vladimir Putin na televisão – na altura presidente da Federação Russa – por parte da maioria eslava presente.
Sendo açoriano e não estando habituado a manifestações deste género, por terras lusas a atenção dispendida aos nossos governantes é praticamente nula, exceptuando o habitual maldizer dos cafés que já é mais um feitio muito nacional do que um defeito. O certo é que na altura fiquei com muito boa impressão dum presidente que inspirasse tanto respeito e interesse por parte dos seus cidadãos, creio que em Portugal tal coisa nunca ocorreu, embora recorde que ainda no meu tempo de escola primária talvez o Cavaco Silva… mas adiante.
O facto é que o mundo voltou a notar na Rússia com a sua mais recente manifestação de força na Geórgia, muitos cronistas e opinadores da imprensa nacional têm referido este “despertar russo” como algo súbito e inesperado eu, pela minha parte, há muito que o notava, para qualquer entusiasta da geopolítica e da ciência política era nítido que a actual situação internacional era insustentável, o mundo necessitava de um novo contrapeso às aventuras estadunidenses e a opção mais válida era a de sempre: a Rússia (embora a China se aproxime a passos largos do estatuto de potência mundial incontornável).
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A Geopolítica Russa: De Pedro “O Grande” a Putin, a “Guerra‑Fria”, o Eurasianismo e os Recursos Energéticos | Tenente‑General PilAv Eduardo Eugénio Silvestre dos Santos | 22 Jun 2008
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A Geopolítica Russa: De Pedro “O Grande” a Putin, a “Guerra‑Fria”, o Eurasianismo e os Recursos Energéticos Tenente‑General PilAv Eduardo Eugénio Silvestre dos Santos
“A política de um Estado está na sua geografia”.
Napoleão1
“A Rússia é uma charada, embrulhada num mistério, dentro de um enigma”
Winston Church
Introdução
Apesar do termo “Geopolítica” ter sido utilizado pela primeira vez pelo cientista político sueco Johan Rudolph Kjellen, apenas no final do século XIX, vários intelectuais importantes tinham já escrito sobre a influência da geografia na conduta da estratégia global das nações, e os confrontos pelo domínio de territórios e populações perdem‑se na neblina dos tempos. O termo surgiu na era da rivalidade imperialista entre 1870 e 1945, quando os impérios em competição travavam inúmeras guerras, gerando, alterando e revendo as linhas de poder que eram as fronteiras do mapa político mundial.2
Existem inúmeras definições de “Geopolítica”. Aqui se deixam algumas que, na opinião do autor, melhor reflectem e abrangem o pleno âmbito do termo:
Kjellen definiu‑a como o “estudo da influência determinante do ambiente na política de um Estado”. Para a Escola de Munique de Haushofer é “a ciência da vinculação geográfica dos fenómenos políticos”. Para N. Spykman, era “o planeamento da política de segurança de um país em termos dos seus factores geográficos”.3 Mais modernamente, G. O’Tuathail afirma que é “o modo de relacionar dinâmicas locais e regionais com o sistema global como um todo”4 e, em conjunto com J. Agnew, o mesmo autor escreve que “estuda a geografia da política internacional, particularmente a relação entre o ambiente físico (localização, recursos, território, etc.) e a conduta da política externa”.5
Na história do mundo, existem, em competição constante, duas aproxi mações às noções de espaço e terreno – a terrestre e a marítima. Na História antiga, as potências que se tornaram em símbolos da “civilização marítima” foram a Fenícia e Cartago. O império terrestre que se lhes opunha era Roma. As Guerras Púnicas foram a imagem mais clara da oposição “terra‑mar”. Mais modernamente, a Grã‑Bretanha tornou‑se o “pólo” marítimo, sendo poste riormente substituído pelos EUA. Tal como a Fenícia, a Grã‑Bretanha utilizou o comércio marítimo e a colonização das regiões costeiras como o seu instrumento básico de domínio. Criaram um padrão especial de civilização, mercantil e capitalista, baseada acima de tudo nos interesses materiais e nos princípios do liberalismo económico. Portanto, apesar de todas as variações históricas possíveis, pode dizer‑se que a generalidade das civilizações marítimas tem estado sempre ligada ao primado da economia sobre a política.
Por seu lado, Roma representava uma amostra de uma estrutura de tempo de guerra, autoritária, baseada no controlo civil e administrativo, no primado da política sobre a economia. É um exemplo de um tipo de colonização puramente continental, com a sua penetração profunda no continente e assimi lação dos povos conquistados, automaticamente romanizados após a conquista. Para os Eurasianistas, na História moderna, os seus sucessores são os Impérios Russo, Austro‑Húngaro e Alemão.
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